Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) dão conta de que um em cada dez brasileiros sofre de doença nos rins. Além disso, o Censo Brasileiro de Nefrologia aponta que, atualmente, mais de 120 mil pacientes fazem diálise em todo o País. No Distrito Federal, 1.068 pessoas precisam passar por hemodiálise e 281 realizam diálise peritoneal, em clínicas conveniadas ou em hospitais da rede pública.
A doença renal crônica é a perda progressiva e irreversível das funções renais. De acordo com a presidente da SBN, Carmen Tzanno, a enfermidade é comum, silenciosa e grave, mas tratável. “Às vezes a pessoa tem o problema, mas se ela nunca passou no médico ou nunca fez um exame de urina e sangue, não sabe que tem o problema. Quando ela descobre, já está no ponto de iniciar a diálise”, explica Carmen.
Ainda de acordo com a especialista, as pessoas têm de ficar atentas a alguns riscos que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença. Tem que ser levado em conta, por exemplo, o histórico familiar, maus hábitos alimentares e a forma como se leva a vida. “Pessoas que têm antecedentes familiares, obesidade ou sedentarismo apresentam fatores de risco. No Brasil, as principais causas são o diabetes e a hipertensão arterial”, esclarece Tzanno. “Os sintomas podem ser anemia, pressão alta, inchaço (edema) e cansaço. São sintomas que passam despercebidos”, completa.
Somente a partir do estágio mais avançado da doença é que o paciente é encaminhado para a Terapia Renal Substitutiva. De acordo com Carmen, podem ser escolhidos três tipos de tratamento: hemodiálise, diálise peritoneal – realizada em casa – ou transplante renal. “As pessoas enxergam a diálise como negativa, falam que o paciente fica preso à máquina. Claro, o melhor é você estar saudável, mas se não houver diálise para esses pacientes, eles podem morrer”, alega a presidente da SBN.
Atendimento em Brasília
O Brasil conta com 747 clínicas de hemodiálise, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia. A média é de 164 pacientes por clínica. Acontece que o número de clínicas não tem acompanhado a demanda dos pacientes, e a saída é a diálise domiciliar, que vem sendo aprimorada com as revoluções tecnológicas.
No DF, sete hospitais da rede pública atendem pacientes com insuficiência renal: regionais da Asa Norte, Sobradinho, Santa Maria, Gama, Taguatinga e Ceilândia; Hospital de Base e Hospital Universitário de Brasília.
Ponto de Vista
De acordo com o especialista em inovação e saúde Guilherme Rabelo, a área da saúde tende a ser mais conservadora do que outras quando o quesito é a convergência digital.
“Com a questão da segurança do paciente, a saúde tem uma tendência de levar a tecnologia de uma forma mais demorada”, explica.
Ainda segundo Rabelo, com as inovações tecnológicas, a saúde passou por uma mudança na forma em que é percebida: se antes estava ligada à doença, hoje, as pessoas associam com estilo de vida. “O que mudou é que a saúde tem uma coloração muito mais jovial, muito mais alegre. Agora a saúde é muito mais bem-estar, fitness, alegria, ela é aquilo que é positivo, porque é isso que as pessoas estão querendo”, conclui o especialista.
Tecnologia a favor
Pensando em trazer bem-estar aos pacientes, a empresa hospitalar Baxter lança, no Brasil, o HomeChoice Claria. Equipamento permite o acompanhamento médico da diálise peritoneal à distância, por meio de um sistema de armazenamento de dados em nuvem, que facilita a visualização das informações relativas à diálise de cada paciente. A partir daí, os profissionais podem agir sobre tais informações, ajustando, de forma remota e segura, as configurações dos dispositivos domésticos de cada pessoa sem que haja locomoção até a clínica ou hospital.
Na América Latina, 2.234 pacientes já utilizam o novo equipamento que, segundo a nefrologista Geovana Basso, traz melhoras significativas no tratamento. “As inovações tecnológicas aumentam a confiança dos profissionais de saúde na diálise peritoneal. Além de ajudar o paciente a aumentar a confiança porque ele sabe que está em casa, mas está sendo assistido pelo médico, e isso melhora a aderência ao tratamento”, aponta a especialista.

Fonte: Jornal de Brasília – http://www.jornaldebrasilia.com.br/brasil/um-em-cada-dez-brasileiros-tem-problema-nos-rins-e-nao-sabe/ – 12/07/2017

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